sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Ídolo Também Veste a Camisa 1 - Parte 3 (final)

O HOMEM QUE TIROU O BRASIL DA FILA

Defesa de Yashin (Aranha Negra)
Na decisão de um jogo de futebol, a atuação do goleiro é tão importante quanto os gols. O único jogador do time a ter um treinador específico é o goleiro. Porém, como descreve o escritor Paulo Guilherme, em seu livro "Goleiros" (2006), é ele também que está sempre entre o céu e o inferno, podendo, em segundos, tornar-se ídolo ou vilão.

Encarar craques como Pelé, Zico, Maradona e Messi pela frente é uma missão difícil. Guilherme (2006) conta que os primeiros goleiros a se destacarem e se tornarem ídolos em seus clubes e seleções foram Lev Yashin, conhecido como Aranha Negra, da antiga União Soviética, e o inglês Gordon Banks, que ficou marcado por fazer uma das defesas mais belas da história do futebol em um cabeceio de Pelé, na Copa de 1970, disputada no México.

Assim como a defesa do inglês Banks, algumas bolas defendidas por certos goleiros acabam entrando para a história do futebol por conta da sua dificuldade. Foi o caso das sequências de defesas realizadas pelos goleiros Zetti, do São Paulo, na Copa Libertadores da América de 1993 e do goleiro uruguaio Rodolfo Rodrigues, em 1984, quando ainda defendia a equipe do Santos. Segundo o livro “Goleiros” (2006), outra defesa que ficou gravada na lembrança dos apaixonados por futebol foi protagonizada pelo colombiano René Higuita, conhecido por seu jeito irreverente. Corajoso, Higuita praticou a interceptação de um gol de uma forma não muito convencional entre os atletas da posição. Ele saltou com os dois pés erguidos para trás de seu corpo e, com as travas da chuteira, mandou a bola para bem longe de sua área. A tal façanha ganhou o nome de defesa “escorpião”.

Porém, o colombiano também ficou marcado por conta de um lance decisivo na Copa da Itália, em 1990, quando tentou driblar o atacante camaronês Roger Milla, perdeu a bola e sofreu o gol, o que lhe custou a eliminação da Colômbia no Mundial.
 
À esquerda, Gordon Banks defendendo cabeceio de Pelé. À direita, defesa escorpião
de Higuita
A seleção brasileira também teve goleiros inesquecíveis. Castilho, do Fluminense, e Leão, do Palmeiras, foram os goleiros que mais disputaram Copas do Mundo defendendo a seleção brasileira. Cada um jogou quatro Copas. Ainda segundo a obra de Paulo Guilherme (2006), o Brasil sempre esteve bem servido de goleiros. Além do injustiçado Barbosa, grandes nomes como Gilmar, Manga, Felix, Waldir Perez, Carlos, Marcos, Dida, entre outros, também vestiram a camisa do Brasil e deixaram boas lembranças. Um deles, em especial, dificilmente cairá no esquecimento da nação.

Taffarel arrumando a barreira
Cláudio André Taffarel foi o astro brasileiro da Copa de 1994 que tirou o Brasil de uma longa fila de 24 anos sem uma conquista de Mundial. Guilherme (2006) conta que Taffarel não vivia o melhor de sua fase como jogador de futebol. Na Itália, havia cometido falhas grotescas atuando pelo Parma. Enquanto vinha de seguidas falhas, inclusive pela Seleção Brasileira, Zetti, jogando no São Paulo era o nome mais pedido pela torcida e pela mídia brasileira. Mas, partindo do princípio de que goleiro é a peça de confiança do treinador, como disse Guilherme, em “Goleiros” (2006), Carlos Alberto Perreira, comandante da seleção canarinho na época, resolveu convocar Taffarel e dar mais uma oportunidade ao goleiro, já que o goleiro já tinha vivido a experiência de jogar pelo Brasil em 1990. Parreira até chegou a ser questionados por alguns críticos, mas seguiu seu instinto e manteve sua decisão. O escritor José Augusto de Aguiar Costa (2008) acreditava que Taffarel era diferente de todos. Para ele, o goleiro sempre foi sereno, de ótimo caráter e avesso às confusões que acercam o futebol. Ouvia calado as pesadas críticas que a imprensa fazia, mas procurava responder em campo sem pensar em revanche, apenas buscando o bem da sua equipe. As respostas, no entanto, vieram no melhor estilo. Ele foi fundamental na conquista da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, no qual até o pênalti de Massaro ele defendeu na final. Como disse Guilherme (2006), a estrela de Taffarel, enfim, brilhou. Costa (2008) conta que com a conquista Taffarel passou a ser considerado herói daquela equipe que tinha Romário e Bebeto no ataque. Porém, o jogador faz questão de negar o rótulo, conforme diz o livro “Heróis do esporte, heróis da vida” (2007), do escritor José Augusto de Aguiar.
 
Taffarel comemorando título do Brasil na Copa do Mundo de 1994
 

Quatro anos mais tarde, ele estava de volta a uma Copa do Mundo, dessa vez na França. Foi a terceira Copa seguida do camisa 1 como titular, algo até então inédito, como diz Costa (2008), para um goleiro brasileiro. Seu auge foi na semifinal contra Holanda. Naquele dia Taffarel estava intransponível. Graças às suas defesas durante a partida, a decisão foi para disputa de pênaltis e, mais uma vez, Taffarel estava lá para salvar a seleção. Era novamente o dia do goleiro que defendeu as cobranças de Ronald de Boer e Cocu. Com isso, o Brasil avançou à final. Ao término da partida ele declarou que o feito não tinha sido ele, mas sim Deus, descreve Costa (2008).

Para tristeza do povo brasileiro, a final não foi como se imaginava. Após os problemas de Ronaldo, fora das quatro linhas, o Brasil foi a campo abalado deixou escapar a chance de conquistar o penta campeonato. A anfitriã França, de Zinedine Zidane, venceu por 3 a 0 o Brasil de Taffarel e deu ao seu país o inédito título mundial.

Com a mudança de treinador após a copa, Taffarel começou a perder espaço e, em 2003, decidiu encerrar carreira, da mesma forma serena que sempre levou a vida, sem despedidas ou festa, mas com o status de um dos principais goleiros que já vestiram a camisa da seleção Brasileira, como citou Guilherme (2006).

 

2 comentários:

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